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The great resignation: como a tendência mundial de demissões voluntárias afeta retenção de talentos


Você já deve ter ouvido falar da Great Resignation (em português, "Grande Resignação"), movimento que vem tomando força desde o ano passado nos EUA e que chega também aqui no Brasil: uma onda de pedidos de demissão, com aumento expressivo nos últimos anos e, segundo os especialistas, está relacionada a uma convergência de mudanças e crises amplificada pela pandemia.


Identificada inicialmente nos EUA, essa tendência se iniciou no segundo ano da pandemia (2021), se concentrava no setor de serviços, atendimento e hospitalidade, e entre trabalhadores mais jovens, porém, hoje os números vêm subindo em outros países, setores da economia, diferentes áreas de atuação e pessoas dos mais diferentes perfis.


No Brasil o cenário não é diferente. Ainda que, de modo geral, a taxa de desemprego dos países desenvolvidos esteja baixa - por exemplo, 3,9% nos EUA (junho/2022) contra 9,8% no Brasil -, mesmo em nosso cenário de desemprego, a quantidade de trabalhadores que vem pedindo demissão está crescendo. Esse ano, todos os meses, uma média de quase 500 mil trabalhadores renunciaram ao emprego que tinham. Sem nenhum incentivo, sem nenhum benefício, tomaram a decisão de se demitir por conta própria. Segundo estudo realizado esse ano pela Revista Você S/A, esse número é o dobro do registrado nos anos anteriores à pandemia.


Numa análise retrospectiva, no primeiro ano da pandemia, em especial nos períodos de lockdown, os trabalhadores permaneceram nos empregos por mais tempo do que gostariam para que pudessem manter toda segurança e normalidade possível durante tempos tão incertos. Enquanto para algumas pessoas a quarentena serviu para repensar prioridades e propósitos de vida, para outras foi um período de extremo esgotamento e malabarismos com famílias tendo que dividir o espaço 24 horas por dia, os desafios do ensino em casa e do home office - entre o improviso, os barulhos e os limites em construção - e o custo emocional de viver uma pandemia. Mesmo com o avanço da vacinação, a reabertura e retorno gradativo às atividades presenciais, poucas das expectativas do tal ‘novo normal’ se cumpriram, o ‘novo’ se sobrepôs ao ‘normal’ definitivamente, fazendo com as pessoas estejam mais interessadas na mudança do que no retorno ao que tinham antes da pandemia.


O fato é que as pessoas agora têm novas ideias sobre o que querem como trabalho - e outras coisas das suas vidas - e estão procurando isso em outros lugares, bem longe do seu emprego atual, muitas vezes longe até de seu atual país. Nesse último ano, várias grandes empresas realizaram suas próprias pesquisas em torno desse tema, como a Microsoft, a Prudential, e os números se repetem:


- mais de 40% dos funcionários disseram consideram a possibilidade de deixar seu atual trabalho no prazo de 1 ano;


- 1 em cada 4 trabalhadores (25%) pensam ou já pensaram em procurar um novo trabalho depois da pandemia;


- dos que planejam deixar o emprego atual, 80% tem foco no desenvolvimento da carreira e quase 75% têm repensado seus conhecimentos e capacidades em função da pandemia.


Esses diferentes levantamentos feitos por empresas de vários setores apontam para alguns pontos em comum. Primeiro, que os trabalhadores de alto desempenho são os mais preocupados com o avanço na carreira em seus empregos atuais e, devido ao aumento das oportunidades de trabalho remoto, eles não se sentem mais obrigados a estarem ‘geograficamente’ presos a seus atuais empregadores ou empresas locais. Mas não é apenas a carreira que está levando os funcionários a deixarem seus cargos atuais. A pandemia deixou as pessoas exaustas, não só por conta do custo físico, mental e emocional que elas tiveram que suportar durante lockdowns, quarentenas, ensino em casa, trabalho em casa, ansiedade e o futuro desconhecido. Mas toda essa experiência também evidenciou como algumas características das empresas e políticas de recursos humanos dos seus empregadores atuais não só não atendem mais suas necessidades profissionais e de carreira, mas estão em descompasso com essas mudanças e se tornam até mesmo um obstáculo para suas vidas pessoais. Em resposta, os trabalhadores estão procurando empresas que ofereçam melhor flexibilidade, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e benefícios de bem-estar.


Esse é o cenário desafiador que a pandemia deixou de legado para as empresas e sua gestão e retenção de talento. E junto com os desafios, as soluções e oportunidades que se apresentam, tanto para manter o engajamento dos colaboradores atuais que buscam práticas e ambientes mais atuais para suas demandas profissionais, quanto para atrair talentos que estão vivenciando essa mesma mentalidade e procuram os melhores lugares para contribuir com seu trabalho e onde vão continuar sua carreira.


A grande pergunta é: hoje, você sabe como seus funcionários se sentem, o que eles realmente querem e precisam? E você sabe se sua empresa tem o conhecimento e condições necessárias para realizar as mudanças e adaptações que esse novo tempo tem exigido? No próximo artigo, continuaremos essa conversa sobre os desafios e as estratégias para uma retenção e gestão de talentos a longo prazo.


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